Pense num produto brasileiro. Totalmente nosso. Pensou na Mandioca? Parabéns. Se existe um produto que merece ser chamado de brasileiro, a Mandioca é o “cara”. E não se limite àquela velha história que você aprendeu na escola, de que a mandioca era a base da alimentação indígena, blá, blá, blá.

Isso também é verdade, mas hoje, passados cinco séculos desde o descobrimento, a mandioca é muito mais.  Pode-se dizer sem medo de errar que a raiz é um símbolo de resistência, de diversidade, do manuseio consciente e da integração de todo um povo com sua terra e o desenvolvimento de seus modelos de produção.

Aliás, o Brasil ficou pequeno para ela. A mandioca já ganhou o mundo.

De alimentação indígena, passando pela base nutricional de boa parte dos brasileiros, por sua versatilidade e infindáveis possibilidades de preparo, ela frequenta cada vez mais as cozinhas nacionais e internacionais, aguçando e sugerindo possibilidades criativas a chefs de todo o planeta.

Mas então a mandioca é hoje um produto sofisticado?

Sim. E não!

Sim porque, além de toda essa versatilidade e reconhecimento internacional, ela já é a estrela de diversos estudos científicos, incluindo avanços grandiosos quanto às suas possibilidades nutricionais, como é o caso do trabalho de biofortificação realizado pela pesquisadora Teresa Losada Valle, do Instituto Agronômico de Campinas, SP, que desenvolveu – por meio de melhoramentos genéticos – uma espécie de mandioca com 40 vezes mais Vitamina A do que a espécie convencional e que já chegou à mesa dos brasileiros. A biofortificação foi o meio encontrado pelos cientistas para melhorar a dieta de famílias pobres e dar alternativa de trabalho para pequenos produtores rurais em vários países do mundo.

Sim também porque, por seus méritos naturais, a mandioca mereceu investimentos capazes de aumentar em 8 vezes sua produção nacional nos últimos anos. Essa produção está hoje na casa dos 27 milhões de toneladas/ano.

Sim também pelo próprio reconhecimento internacional, que há um bom tempo voltou seus olhos para o potencial não apenas científico, mas também econômico desse nosso produto.

Dra. Teresa Losada, responsável pela pesquisa com biofortificação genética da mandioca.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Finalmente não, porque ela continua sendo a nossa velha e boa mandioca. Que fez, faz e continuará fazendo parte da cultura do brasileiro. Nas mesas, nos fogões à lenha, nas cozinhas mais modernas, nos moinhos, no campo, na exportação, no manejo agrícola familiar e industrial, na pesquisa e, por que não, na formação da nossa própria identidade nacional.

Como o processo de pesquisa nos pequenos agricultores ajudou na concepção de uma nova mandioca, mais forte e acessível para todos, está entre os assuntos que a Dra. Teresa falará na Feira Viva. Confira a programação do painel sobre a mandioca, que contará também com a presença de do chef Rodrigo Oliveira e de Agostinho da Paçoca.  

Serviço:

Programação no Auditório na Feira Viva Edição de Inverno

12h30. A MANDIOCA – Modos e Preparos

Da planta nativa às particularidades regionais no beneficiamento da mandioca”.

Convidados:

  • Rodrigo Oliveira ( Mocotó)
  • Dra. Teresa Losada
  • Agostinho da Paçoca

*Conheça a programação completa dos painéis aqui.

 


Tags:

Edição de Inverno, agricultura, agrofloresta, biofortificação, ciência, ecologia, gastronomia, mandioca, meioambiente, painel
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