“Fui atrás do porco e encontrei o milho. Encontrei também a ideia de resgatar algo que já passou”

A frase é do chef Rafa Bocaina, que me serve agora para contar para você minha experiência ontem na Feira Viva. A do Rafa eu conto mais pra frente.  

Tudo começou em julho. Meu trabalho seria colher informações e produzir textos para a Feira Viva. Eu, jornalista com 20 anos de experiência e cozinheira aprendiz, comecei a pesquisar os assuntos desta Edição de Inverno muito animada. Afinal, quando o assunto interessa tudo fica mais legal. Batata! Os seis territórios culturais brasileiros e a riqueza de seus personagens, paisagens e ingredientes me deixaram literalmente de boca aberta. E com água na boca. Foram semanas produzindo textos para o site e materiais diversos, durante as quais eu aprendi muito sobre gastronomia, história, cultura. Aprendi e me encantei.

Às nove horas da manhã do dia 12 de agosto eu cheguei ao Parque da Água Branca. Do impacto da primeira visão – barracas lindas e coloridas e fogo de chão naquele ambiente de terra – até as 11 horas seguintes eu vivi a experiência da Feira Viva em toda a sua complexidade. Quem já trabalhou em evento sabe o quanto é preciso ficar atento a tudo. Entrevistei seis chefs talentosíssimos e totalmente envolvidos com aquele momento, ouvi histórias fabulosas do Rafa Bocaina e do seu Agostinho da Paçoca, aprendi mais sobre a necessidade de se preservar o mar e seus insumos com os chefs Eudes e André Mifano, comi a melhor costela de cordeiro, a melhor tainha cozida no vapor e o melhor creme de palmito da minha vida. Experimentei o atolado de bode do Rodrigo do Mocotó e adorei. Foram horas de trabalho e de sensações: para os olhos, para o paladar, para o olfato, para a audição, para o tato. Comi, bebi, cheirei, toquei, admirei, ouvi. Sim, ouvi a brasa estalando, as risadas, as crianças, o samba no fim de tarde.

Voltei pra casa carregada de produtos e totalmente inspirada pela experiência que a Feira Viva me proporcionou. Acordei no dia seguinte e a Feira Viva me esperava na cozinha. Cozinhei sob inspiração de um projeto que propõe um novo olhar sobre o que e como comemos. E experimentei. Livremente, sem receitas, apenas com o desejo de criar algo saboroso com os ingredientes que vieram de produtores cuja vida e trabalho são dedicados a fazer o melhor da maneira mais sustentável possível. Meu muito obrigado a eles. Hoje eu não comi apenas, eu vivi uma experiência.

Outras histórias vão passar por aqui. Histórias que vi e ouvi num dia muito produtivo. Por enquanto tento inspirar você com aquilo que me inspirou. E confesso: não vejo a hora de chegar a Edição de Primavera.

Se a Feira Viva também inspirou você, conte pra gente! Sua experiência e sua receita podem aparecer aqui e nas nossas redes sociais. É só marcar seu texto com as hashtags #VivaFeiraViva #FeiraViva #HistóriasdeComida.

Maura Hayas

 

Pratos e Receitas

Caipirinha de cachaça Santo Grau com limão e ostras e vieiras da Guará Vermelho foram o aperitivo e entrada.

Arroz Vermelho

Usei o arroz basmati vermelho do Alto do Marins.

O arroz foi refogado com manteiga ghee com alho negro, da Alho Negro, e cozido em água com caldo de legumes caseiro (eu que fiz). Folhas de hortelã da minha horta finalizaram o prato.

Linguiça frita com massa de jabuticaba

A linguiça é da Pirineus, fritei apenas no óleo de macadâmia, da Fazenda Retiro, com ervas da minha horta.

A massa de jabuticaba, da Maria Preta Jabuticaba, foi cozida em água e um pouco de sal por 7 minutos.

O molho foi feito com vinagre balsâmico e, licor de limão, da Akarui.

 

 


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